Dr. Leonardo Zacher analisando exames — Hiperplasia Prostática, urologia em Esteio/RS

Hiperplasia Prostática

Tratamento do aumento benigno da próstata, com laser de próstata.

Sobre este procedimento

Avaliação e tratamento do crescimento benigno da próstata (HPB), com opções clínicas e cirúrgicas modernas, incluindo laser de próstata para casos mais avançados.

A hiperplasia prostática benigna é o crescimento não canceroso da próstata, que começa na parte central da glândula — justamente onde passa a uretra. Daí os sintomas: a próstata cresce para dentro e aperta o canal por onde a urina sai.

É uma condição do envelhecimento, e das mais comuns: a próstata cresce com a idade na maioria dos homens a partir dos 50 anos. Mas crescer não é a mesma coisa que incomodar — só uma parte deles chega a ter sintomas que atrapalham a vida.

E vale separar três coisas que costumam ser confundidas: hiperplasia é o crescimento do tecido; aumento da próstata é o volume maior; e sintomas urinários são o que atrapalha. Não andam juntos. Existe próstata grande sem sintoma algum, e sintoma importante com próstata de tamanho normal. A relação entre tamanho e sintomas é fraca — por isso o tratamento se decide pelo incômodo, não pelo número do ultrassom.

Os sintomas

Costumam ser divididos em dois grupos, e a distinção ajuda no diagnóstico:

  • De esvaziamento: jato fraco, demora para começar, necessidade de fazer força, jato que para e recomeça, gotejamento no fim, sensação de bexiga que não esvaziou.
  • De armazenamento: levantar à noite para urinar, urgência, ir ao banheiro com muita frequência, e às vezes perda de urina antes de chegar lá.

Os de armazenamento costumam atrapalhar mais — sobretudo a noctúria, que fragmenta o sono. Para medir isso de forma objetiva usa-se o IPSS, um questionário de 7 perguntas que classifica os sintomas em leves (0 a 7), moderados (8 a 19) ou graves (20 a 35). Serve para decidir a conduta e para acompanhar se o tratamento está funcionando.

Hiperplasia não é câncer — e não vira câncer

E o PSA alterado?

A hiperplasia eleva o PSA — simplesmente porque há mais tecido prostático produzindo a substância. Isso não é sinal de câncer. O PSA alto é motivo para investigar, nunca diagnóstico por si só, e a interpretação leva em conta o volume da próstata, a idade e a evolução do valor ao longo do tempo. Um detalhe importante: os medicamentos da classe dos inibidores da 5-alfa-redutase reduzem o PSA pela metade em seis a doze meses, e quem interpreta o exame precisa saber que você os usa.

Quando tratar, e quando apenas acompanhar

Sintoma leve que não incomoda não exige tratamento. A conduta expectante — com orientação sobre hábitos e reavaliação periódica — é escolha legítima, não abandono. A progressão tampouco é inevitável: no maior estudo sobre história natural, em 4 anos a maioria dos homens sem tratamento ativo não progrediu, e entre os que progrediram a maior parte teve apenas piora da pontuação, não retenção nem cirurgia.

Existem, porém, situações em que a cirurgia deixa de ser opcional. As diretrizes listam: insuficiência renal causada pela obstrução, retenção urinária que não se resolve, infecções urinárias de repetição, cálculos na bexiga, sangramento recorrente vindo da próstata, e sintomas que não respondem ao tratamento clínico ou cujo remédio não é tolerado.

Tratamento com medicamentos

Há duas classes principais, e elas fazem coisas diferentes:

  1. Relaxantes da musculaturaAfrouxam o aperto no colo da bexiga e na próstata. O alívio vem rápido, em dias a poucas semanas, mas não diminuem a glândula.
  2. Redutores do volume prostáticoEncolhem a próstata de fato, e exigem paciência: o efeito pleno leva de quatro a seis meses. São os únicos que mudam a história natural em próstatas volumosas.

Há outras opções para o componente de armazenamento, e combinações em casos selecionados. A escolha depende do tamanho da glândula, do padrão de sintomas e dos outros medicamentos em uso — inclusive porque essas classes têm efeito sobre a função sexual.

Tratamento cirúrgico e a enucleação a laser (HoLEP)

Quando o remédio não basta, ou quando há uma das indicações absolutas, a cirurgia entra. A referência histórica é a RTU — ressecção transuretral, feita pelo canal, sem cortes externos —, adequada sobretudo a próstatas de porte médio.

A enucleação a laser de Holmium, o HoLEP, é endoscópica: remove o tecido que cresceu para dentro separando-o da cápsula — o que a cirurgia aberta faz, porém pelo canal, sem incisão. O que a distingue nas diretrizes é objetivo: a enucleação endoscópica é indicada independentemente do tamanho da glândula, e por isso é preferencial nas próstatas grandes, que pelas outras vias acabariam em cirurgia aberta. É a técnica padrão adotada pelo Dr. Leonardo Zacher.

Há ainda técnicas minimamente invasivas mais recentes — vapor d’água, implantes uretrais, embolização. Preservam melhor a ejaculação, mas é honesto registrar o estágio da evidência: grau de recomendação menor nas diretrizes, ganho de fluxo inferior ao da cirurgia clássica e seguimento curto, majoritariamente até 24 meses.

O efeito sexual de que quase ninguém avisa

Sobre a ereção, a evidência tranquiliza: uma análise de 33 ensaios randomizados e mais de 5.100 pacientes não encontrou diferença significativa na função erétil entre as técnicas cirúrgicas, em até 60 meses de acompanhamento. Cirurgia de próstata para hiperplasia não é sinônimo de perder a ereção.

Os medicamentos também afetam a esfera sexual, com uma diferença importante: seus efeitos costumam ser reversíveis ao suspendê-los, enquanto os da cirurgia tendem a ser permanentes. Os relaxantes podem reduzir o volume ejaculado; os redutores de volume podem afetar libido e ereção em parte dos usuários.

Como é a avaliação

Começa pela história e pelo questionário de sintomas, segue com exame físico — incluindo o toque retal, que avalia tamanho, consistência e superfície da glândula — e costuma incluir PSA, exame de urina e ultrassonografia, para medir o volume da próstata e quanta urina sobra na bexiga. Em casos selecionados entram o estudo do fluxo urinário e a urodinâmica.

Vale chegar sabendo quais medicamentos você usa, inclusive os que parecem não ter relação: remédios comuns para gripe e alergia, e alguns antidepressivos, pioram os sintomas urinários — às vezes são a explicação de uma piora recente.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada pessoa tem histórico, doenças e medicamentos próprios, e é isso que define a conduta.

Referências

  1. American Urological Association. Management of Lower Urinary Tract Symptoms Attributed to Benign Prostatic Hyperplasia: AUA Guideline (2023).
  2. Schenk JM et al. Association of symptomatic benign prostatic hyperplasia and prostate cancer: results from the Prostate Cancer Prevention Trial. American Journal of Epidemiology, 2011;173(12):1419-1428.
  3. Couteau N et al. Ejaculations and benign prostatic hyperplasia: an impossible compromise? A comprehensive review. Journal of Clinical Medicine, 2021;10(24):5788.
  4. Light A et al. Erectile function following surgery for benign prostatic obstruction: a systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials. European Urology, 2021;80(2):174-187.
  5. Cornu JN et al. Minimally invasive treatments for benign prostatic obstruction: a systematic review and network meta-analysis. European Urology, 2023.
  6. Associação Médica Brasileira / Sociedade Brasileira de Urologia. Hiperplasia Prostática Benigna: Tratamento (2016) e Terapia Minimamente Invasiva (2018).