Dr. Leonardo Zacher analisando exames — Cálculos Urinários, urologia em Esteio/RS

Cálculos Urinários

Tratamento de pedras nos rins com fragmentação a laser e cirurgia percutânea.

Sobre este procedimento

Diagnóstico e tratamento de cálculos urinários (pedras nos rins), da crise aguda à investigação da causa, com fragmentação a laser e cirurgia renal percutânea quando indicada.

Cálculo urinário — a popular pedra nos rins — é o endurecimento de substâncias que estavam dissolvidas na urina. É um problema comum, mais frequente em homens, e costuma aparecer na idade adulta. A dor que provoca é referida por muitos pacientes como a pior que já sentiram.

Como a cólica se apresenta

Dor lombar de início súbito e intensidade forte, em ondas, que costuma irradiar para o flanco, a virilha e os genitais, acompanhada de náusea, vômito e às vezes sangue na urina. A pessoa não encontra posição que alivie — diferente da dor muscular, que melhora parada.

O diagnóstico

A tomografia sem contraste é o exame padrão: identifica praticamente todos os cálculos e informa o que muda a conduta — tamanho, posição e densidade da pedra. O ultrassom é o primeiro exame quando se quer evitar radiação, como em gestantes e crianças.

Vai sair sozinha?

Boa parte dos cálculos é eliminada sem cirurgia, e o tamanho é o que melhor prevê isso: pedras pequenas, de poucos milímetros, costumam sair espontaneamente; quanto maior o cálculo, menor essa chance. A posição também pesa — quanto mais próximo da bexiga, maior a probabilidade de eliminação.

Enquanto se aguarda, o tratamento é analgesia, hidratação e acompanhamento, e em casos selecionados uma medicação que facilita a passagem. Mas esperar tem prazo: cálculo que não sai em algumas semanas, ou que causa dor recorrente, infecção ou risco à função do rim, passa a ter indicação de tratamento.

Quando é preciso intervir

Duas vias resolvem a grande maioria dos casos, e a escolha depende do tamanho, da localização, da dureza do cálculo e da anatomia de cada rim.

  1. Fragmentação a laser pelo canalA ureterolitotripsia é feita por dentro da via urinária, sem cortes: um aparelho fino chega até o cálculo e o laser o fragmenta. Resolve cálculos do ureter em qualquer altura e também cálculos dentro do rim, com resultado imediato. É a via preferida em cálculos duros, em pacientes obesos e em quem usa anticoagulante.
  2. Cirurgia renal percutâneaPara cálculos grandes dentro do rim, o acesso é feito por uma pequena punção no flanco, direto até o rim. É a via com maior chance de deixar o rim completamente livre de cálculos nesse cenário, e a indicada quando o volume da pedra torna a via endoscópica insuficiente.

Tirar a pedra não é terminar o tratamento

O que funciona para não voltar

Água, e em quantidade suficiente

Não é "beber bastante água" no sentido vago. A meta é objetiva e depende do peso: cerca de 35 ml por quilo por dia — uma pessoa de 70 kg deve ingerir em torno de 2.500 ml. É a medida isolada com melhor relação entre esforço e resultado na prevenção.

Tão importante quanto o volume é a distribuição: água ao acordar, antes de cada refeição, entre elas e antes de dormir. Beber tudo de uma vez não protege — a urina volta a concentrar nas horas seguintes. Em dias quentes e em dias de exercício, a necessidade aumenta.

A cor da urina é o modo mais simples de conferir se a conta está fechando: amarelo bem claro ou quase transparente indica hidratação adequada; amarelo forte ou cor de âmbar significa beber mais. Chás claros sem açúcar, água de coco e principalmente a limonada natural sem açúcar contam como líquido — e o limão ainda fornece citrato. Mas água pura continua sendo a base.

Quatro ajustes na alimentação

A dieta muda a composição da urina de forma direta. Quatro pontos concentram quase todo o resultado:

  • Cálcio — não reduza. É a orientação que mais se ouve errada, e ela está invertida. Como a maioria das pedras é de oxalato de cálcio, parece lógico cortar leite e queijo — mas o cálcio dos alimentos se liga ao oxalato dentro do intestino e o elimina pelas fezes. Sem ele, sobra oxalato livre para ser absorvido e chegar à urina. Mantenha leite, queijos, iogurte e vegetais verde-escuros, de preferência junto às refeições.
  • Sódio — o alvo mais esquecido. O sal arrasta cálcio para a urina, e é uma das alterações mais frequentes na avaliação de quem forma cálculos. O problema raramente é o saleiro: está nos processados, embutidos, enlatados e temperos prontos. Ervas e especiarias resolvem o sabor sem o sódio.
  • Oxalato — moderar, não eliminar. Espinafre, beterraba, chocolate amargo, nozes e chá preto são ricos em oxalato. Não precisam sair da mesa: consumidos com moderação e na mesma refeição que uma fonte de cálcio, boa parte do oxalato é neutralizada antes de ser absorvida.
  • Proteína animal — moderar a porção. Excesso de carnes, aves e peixes acidifica a urina e aumenta a eliminação de cálcio e ácido úrico. Alternar com fontes vegetais, como leguminosas, algumas vezes por semana já muda o quadro.

Vale acrescentar um alvo que quase ninguém vigia: os aditivos de fosfato dos industrializados — refrigerantes de cola, carnes processadas, alimentos prontos. Diferente do fósforo natural dos alimentos, o fosfato aditivado é absorvido quase por inteiro e chega à urina. Ler o rótulo, aqui, rende mais que cortar qualquer alimento natural.

Peso e atividade física

Excesso de peso aumenta o risco de formar cálculos, e a perda gradual reduz. A atividade física ajuda por esse caminho e pela saúde renal em geral — com a ressalva de que exercício aumenta a perda de líquido, então a ingestão precisa acompanhar.

Como é a avaliação e o acompanhamento

A investigação é individualizada. Além do exame de imagem, inclui exames de sangue e urina e — quando o cálculo é eliminado ou removido — a análise da sua composição, que orienta a prevenção específica: cálculo de ácido úrico, de infecção ou de oxalato pedem condutas diferentes.

A coleta de urina de 24 horas é a peça central nos casos de repetição, nos cálculos grandes e em quem tem história familiar. Ela mede cálcio, oxalato, citrato, sódio, fosfato e ácido úrico ao longo de um dia inteiro, e é o que transforma prevenção genérica em prescrição para o seu caso — inclusive medicação, quando indicada.

Depois, o seguimento se faz com ultrassom ou tomografia em intervalos definidos pelo risco de cada paciente, para identificar cálculos novos enquanto ainda são pequenos e assintomáticos. Consulta de rotina sem sintoma nenhum não é desperdício: é o que permite corrigir o rumo antes da próxima crise.

Guarde o cálculo se conseguir eliminá-lo em casa. Parece detalhe, mas é a informação mais barata e mais útil de toda a investigação.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada pessoa tem histórico, doenças e medicamentos próprios, e é isso que define a conduta.

Referências

  1. European Association of Urology. Guidelines on Urolithiasis (2025).
  2. Sociedade Brasileira de Nefrologia. Diretrizes Brasileiras de Nefrolitíase (2025).
  3. Borghi L et al. Comparison of two diets for the prevention of recurrent stones in idiopathic hypercalciuria. New England Journal of Medicine, 2002;346(2):77-84.
  4. Borghi L et al. Urinary volume, water and recurrences in idiopathic calcium nephrolithiasis: a 5-year randomized prospective study. The Journal of Urology, 1996.